O maior feriado do calendário brasileiro vai aquecer corpos, ruas e também a economia. Após três anos em queda, a movimentação financeira gerada pelo carnaval deve registrar crescimento em 2018. Ao todo, R$ 6,25 bilhões devem ser injetados na economia, se confirmada a previsão da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Já o Ministério do Turismo estima que a festa envolva 11 milhões de turistas, entre os quais 400 mil estrangeiros.

Desfile das escolas de samba no Sambódromo atraem milhares de turistas ao Rio de Janeiro (Fernando Frazão/Agência Brasil)
Desfile das escolas de samba no Sambódromo atraem milhares de turistas ao Rio de Janeiro (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Quanto aos foliões brasileiros, o Ministério do Turismo informou à Agência Brasil que eles tendem a fazer deslocamentos curtos. “Em um país de dimensões continentais, o turismo inter-regional e interestadual tem grande força”, informou.

Setores econômicos

Neste ano, 85% de toda a receita gerada no carnaval devem vir dos segmentos de alimentação fora do domicílio, tais como bares e restaurantes (R$ 3,6 bilhões); transporte rodoviário (R$ 1,03 bilhão) e serviços de alojamento em hotéis e pousadas (R$ 705,6 milhões), detalha estudo da CNC. As atividades artísticas, esportivas e de lazer devem somar R$ 497,3 milhões. As pessoas que contratarão agências de viagens em busca de festas ou de descanso aportarão R$ 173,8 milhões.

Para a CNC, a principal razão para a reação no setor está no comportamento recente da inflação. Como resultado desse movimento, o estudo estima a contratação de 19,3 mil trabalhadores temporários entre janeiro e fevereiro de 2018, 8,9% a mais do que no carnaval de 2017 (17,7 mil). O segmento de serviços de alimentação deverá oferecer cerca de 70% das oportunidades de emprego, com 13,7 mil postos.

Estados

Rio de Janeiro é o estado que concentrará a maior parte dos recursos, R$ 1,9 bilhão. De acordo com a Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro (Riotur), além dos tradicionais desfiles de escolas de samba na Marquês de Sapucaí, haverá 437 blocos em seis dias de folia na capital. A expectativa é de que cerca de 6,5 milhões de foliões participem da festa, sendo 1,5 milhão de turistas.

No Rio, a prefeitura ficou responsável pela infraestrutura necessária para os desfiles dos blocos autorizados, o que envolve colocação de banheiros químicos, cercamento de monumentos e espaços públicos, controle do tráfego e atuação da Guarda Municipal. A Riotur estima ter aportado R$ 60 milhões, contando com o que veio da iniciativa privada.

São Paulo está em segundo no lugar no quesito investimentos. O estado também é palco de desfiles de escolas e bloquinhos de rua, que neste ano chegarão à marca histórica de 491 apenas nas ruas da capital. Tudo isso gerará R$ 1,7 bilhão, de acordo com a expectativa da CNC. Já a Prefeitura de São Paulo estima que quatro milhões de pessoas participem da festa.

O terceiro estado com maior volume de recursos também está no Sudeste. Minas Gerais deve gerar R$ 567,6 milhões. Além da capital, Belo Horizonte, a expectativa é que as festas nas cidades históricas, como Ouro Preto, palco do Bloco Zé Pereira dos Lacaios, o mais antigo do Brasil, com 150 anos, animem visitantes.

A Bahia (R$ 516,6 milhões), o Ceará (R$ 292,7 milhões) e Pernambuco (R$ 200,2 milhões) dão seguimento ao ranking da CNC.

Enquanto o Rio de Janeiro deve ter um faturamento 10,5% menor do que o registrado em 2017, o Ceará pode registrar mais de 9% de acréscimo. Um das explicações possíveis é o crescimento do carnaval em estados que não tinham essa tradição. No Ceará, este ano, haverá shows de 13 artistas locais e nacionais, desfiles de 14 agremiações de maracatu e seis escolas de samba, além de blocos de rua e outras atrações.

Agência Brasil

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