O HOSTELTUR BRASIL fez uma viagem muito especial a um dos destinos mais icônicos do País: a Amazônia. Por três noites, estivemos a bordo do Iberostar Grand Amazon, que é um cruzeiro all inclusive. Gravamos os pontos altos do passeio, além de detalhes da embarcação. Leia a matéria abaixo e não deixe de conferir também o nosso vídeo em HD.

Na terceira série do ensino fundamental o professor Jair nos fez decorar todos os afluentes do Rio Amazonas – do lado direito e esquerdo – e também ensinou a música “Uirapuru”. Na quarta série eu já não lembrava nem a metade dos afluentes, mas a música eu sei de cor até hoje: Certa vez de montaria eu desci um paraná e o caboclo que remava não parava de falar... ah, ah não parava de falar...

Pois quase vinte anos depois de estudar a região amazônica nos livros pela primeira vez, tive a oportunidade de visitar esse destino tão icônico do nosso País, e foi a bordo do Iberostar Grand Amazon. É realmente emocionante poder sentir na pele e no coração o que é navegar pelo maior rio do mundo em uma das maiores florestas do planeta.

A viagem foi feita em abril, bem no meio do período de cheias que vai de dezembro até julho. As águas sobem até dez metros e mesmo navegando a essa altura é incrível o quanto algumas árvores ainda parecem muito altas. E tão incrível quanto é poder se ver bem ao lado de frondosas copas que estariam tão longe de nós no período da seca. Contudo, a equipe do navio garante que os meses de agosto até novembro também rendem um passeio espetacular.

O cruzeiro oferece dois roteiros diferentes. Um é de quatro noites, de segunda à sexta-feira. Nele, o barco navega pelo Rio Negro. Nós fizemos o roteiro de três noites que segue pelo trecho em que o Rio Amazonas leva o nome de Solimões. A agenda é bem cheia, pois os passeios (feitos a bordo de lanchas) são concentrados principalmente no sábado e domingo.



Às 18h da sexta-feira o Iberostar Grand Amazon parte do porto de Manaus e segue pelas águas barrentas e rápidas do Rio Solimões. O momento é propicio para se apreciar o pôr do sol ainda com a cidade de Manaus de fundo. No dia seguinte, logo de manhã, visitamos a casa da família do Seu Álvaro. A ideia é que a gente conheça um pouco do modo de vida dos caboclos da região.

Casa do caboclo
A casa do Seu Álvaro, especificamente, é um pouco diferente das palafitas e casas flutuantes das quais sempre ouvimos falar quando o assunto é a região amazônica. Ele firmou moradia em uma terra bastante alta na região do Lago Janaucá, que não é alagada no período da cheia. Contudo, pelo caminho, podemos observar sim as palafitas e casas flutuantes das quais o professor Jair falava. É muito legal ver como não falta nada: tem hortas, flores, cachorrinhos, gatinhos, sala, cozinha, quarto.... tem até energia elétrica e internet. Contudo, vale lembrar que ao longo do passeio os sinais de celular e internet são bem fracos. Se programe para não precisar deles.

No terreno do Seu Álvaro há um espaço onde está instalada uma espécie de “oficina”. O local tem todos os aparatos para fabricação da farinha de mandioca. Hoje, a família tem outras formas de renda e não depende mais dessa atividade, mas a instalação é bastante interessante e ajuda a contar um pouco da história da econômia da região.

Durante a nossa visita, ele e a esposa nos apresentam a alguns frutos típicos. A diversidade de cores e sabores impressionam e causam certa surpresa a distraídos como eu. Isso porque eu ainda associava frutas à doçura. Contudo, diversos frutos amazônicos são até um pouco salgados ou com gosto bastante suave.

Pesca de piranhas
O segundo passeio do dia é feito no meio da tarde, na região de Manaquiri: pesca de piranhas. No nosso grupo, quase todo mundo conseguiu pescar ao menos um peixe. Uma colega jornalista foi muito além e pescou SEIS piranhas e até um BAGRE.

Por outro lado,  a equipe do HOSTELTUR BRASIL se mostrou um verdadeiro fracasso nesse quesito. A repórter que vos fala morre de dó dos peixes (por mais que tentem me convencer de que eles não sentem dor) e nem se arriscou a lançar iscas. Nosso videomaker se esforçou bastante, mas também não fisgou nenhum peixe. (Pelo menos ele acertou o tipo de árvore que pode ser a salvação de quem estiver perdido na selva, falo sobre ela mais adiante).

Mas nem por isso saímos do passeio sem uma boa história para contar! Foi a NOSSA mochila que uma das piranhas pescadas mordeu. Isso mesmo. Ao tentar se desvenciliar das mãos do pescador, o peixe se debateu e acabou caindo no chão do barco. No caminho, esbarrou em nossa mochila e rasgou um pedacinho dela  - ninguém mais trouxe uma lembrança tão bacana quanto a nossa!

Focagem de jacarés
Ainda no sábado, quando já está bem de noite, saímos para a focagem de jacarés. É bem interessante passear de lancha na escuridão e ouvir os sons da floresta. Existe uma verdadeira sinfonia de grilos, pássaros e outros animais. Sem dúvida, os ruídos são bem mais evidentes do que ao longo do dia. A ideia do principal do passeio é apenas observar os répteis. Contudo, com sorte, é possível que o guia consiga pegar um jacarezinho e trazer para o barco - nós conseguimos! 

O guia não solta o animal de jeito nenhum. Só que do jeito que ele segura o jacaré dá para qualquer um posar para foto fingindo que, na verdade, é você que está segurando (mas claro que não vamos contar isso quando você compartilhar a sua foto!). De qualquer forma, mesmo com o guia segurando, é necessário muito sangue frio para entender a bendita da posição e fazer uma foto realmente bacana. Antes de ir para o passeio, já conversa com o guia para entender o macete!

Nascer do sol
Uma breve noite de sono, mal dá para o ritmo cardíaco voltar ao normal e, no domingo, acordamos BEM cedinho para ver o nascer do sol em “alto rio”. O esforço vale a pena mesmo em dias parcialmente nublados – como aconteceu na ocasião da nossa viagem. Afinal, não é todo dia que temos a oportunidade de ver o dia começar em um lugar tão exuberante.

Caminhada na selva
O passeio seguinte é a caminhada na selva na região de Manacapurú. Esse passeio é o único que exige um pouco mais de “esforço” físico, mas ainda assim ele é bastante tranquilo e extremamente agradável. O guia que acompanha o grupo apresenta as principais espécies de árvores da região e dá até algumas dicas de sobrevivência na selva. Mas elas não vêm de graça! Ele sempre testa a gente antes para ver se conseguiríamos sozinhos. Pois não é que eu reprovei de novo? (Lembram que eu nem tentei pescar as piranhas, certo?) Na hora de escolher entre qual tipo de árvore é que guarda água no tronco, fiz a opção errada. Ou seja: ainda bem que a comida do navio é farta (e deliciosa) e que não falta água fresca nem nas lanchas. Se eu fosse depender somente das minhas habilidades, não estava aqui para contar a história para vocês!


Confira alguns cliques.

Sumaúma
O último passeio do roteiro tem como destino um local na região do Lago Janauari onde é possível alimentar macacos, observar vitórias-régias e adquirir artesanato local. Contudo, no caminho, já nos deparamos com uma visão sensacional...

Não me lembro do professor Jair ter falado qualquer coisa sobre as sumaúmas. Mas elas são simplesmente incríveis. É uma grande realização fazer viagens que permitam um contato tão próximo com a natureza. E chegar pertinho dessa gigante foi mesmo muito emocionante, emocionante assim a ponto de me deixar com os olhos cheios d’água. Eu poderia explicar que elas atingem mais de um metro de diamêtro e até 50 metros de altura, que o rio estava pelo menos oito  metros acima do nível normal e mesmo assim quando a gente olhava para cima mal dava para ver a sua copa, que elas são uma espécie que ocorre nas Américas, África e Ásia e que suas sementes podem ser usadas para preencher travesseiros e colchões. Só que nada disso descreve o que ela é de verdade e a sensação de se ver diante de algo tão, tão grande. É realmente muito comovente. (E desde já me preparo para o dia em que eu visitar o Parque Nacional da Califórnia e ver as sequoias gigantes!)

E para deixar a lembrança da samauma ainda mais doce, alguns jovens da região ficam ali de barco à nossa espera vendendo deliciosos chocolates com cupuaçu e castanha. O problema é que você só descobre que o chocolate é mesmo muito bom depois que você comprou um só e a lancha já foi embora. Pedi para o guia sugerir para que os meninos ofereçam pedacinhos para degustação. Assim os turistas têm mais segurança para comprar o quitute.

Um pouco de lenda
Segundo uma explicação que encontrei no Almanaque Brasil – Almanaque de Cultura Popular Brasileira, na iminência de um temporal, o enorme tronco da sumauma que armazena grandes quantidades de líquido dá uma descarga de água para as raízes. Isso é resultado da variação da pressão atmosférica. Acontece que esse movimento gera um ruído que pode ser ouvido à distância.

Ainda de acordo com o Almanaque, esse barulhão da sumaúma acabou por render uma das mais difundidas histórias da Amazônia. Segundo a crença, o curupira é o responsável pelos estrondos na mata. Armado com um casco de jabuti, ele bate com força nas sapopemas (suas raízes tabulares) a fim de verificar se estão fortes para resistir às tempestades. O curupira deve ser um ótimo mergulhador para conseguir mexer nas raízes da sumauma na época da cheia!

Para os índios ticuna, explica o Almanaque, a sumaúma remete à formação da Amazônia. Diz seu Livro das Árvores: No princípio, estava tudo escuro, sempre frio e sempre noite. Uma enorme sumaumeira, wotchine, fechava o mundo, e por isso não entrava claridade na terra. Quando a árvore caiu, a luz apareceu. Do tronco da sumaumeira caída formou-se o Rio Amazonas. De seus galhos surgiram outros rios e igarapés. A lenda não pode ser comprovada, claro. Contudo, os índios realizam rituais de fertilidade, fartura, prosperidade e assembleias gerais, onde se discutem os interesses da tribo ao redor da grande árvore.

Macacos e vitórias-régias
Depois que passamos pela sumaúma via  igarapés e igapós na região do Lago Janauri chegamos a um local onde, já em terra firme, podemos alimentar simpaticíssimos macaquinhos e ver mais e mais vitórias-régias. Nesse passeio também é possível adquirir artesanato local. Normalmente eles aceitam cartão, mas é bom se prevenir e levar dinheiro em espécie. Durante a nossa visita houve uma queda de energia que impossibilitou o funcionamento das “maquininhas”.

Encontro das águas
No dia seguinte o navio já está de volta à Manaus. Pouco antes dele atracar, é possível admirar o famoso encontro das águas barrentas do Rio Solimões com as águas reluzentes do Rio Negro. O professor Jair falou disso também, explicando que as águas não se encontram porque há diferença de temperatura e densidade entre elas. Além disso, temos que levar em conta a velocidade da correnteza de cada rio. As águas não se misturam porque o Rio Negro corre a cerca de 2km/h a uma temperatura de 28ºC e o Rio Solimões (pelo qual navegamos) corre de 4 a 6km/h a uma temperatura de 22ºC. O evento é bem simples, mas é aquele tipo de coisa que se você não fizer, não pode dizer que foi à Manaus.

A região é realmente exuberante e o Iberostar Grand Amazon entrega todo o conforto que promete. As instalações são muito boas, a comida deliciosa e variada e a tripulação extremamente cordial e atenciosa. Além disso, os passeios (que já estão inclusos no pacote) são muito bem organizados e atendem bem a um perfil bastante variado de viajantes. Tenho certeza de que até o professor Jair iria adorar!

Dicas
Dependendo da ocupação do navio, a tripulação transforma uma das cabines em um pequeno "spa". Nosso videomaker ganhou uma massagem ao vencer um bingo realizado durante a viagem e foi usufruir do prêmio. Embora feliz e agradecido com a oportunidade, ele fez algumas ressalvas. A maca era estreita demais e não tinha aquela cavidade para acomodar a cabeça enquanto estamos de bruços. Isso o deixou em uma posição um pouco desconfortável, tendo que equilibrar os braços e virando o pescoço. Por isso, recomendamos que antes de contratar o serviço, você peça para dar uma olhada na sala e verifique se você vai conseguir ficar bem acomodado. Eles deixam o espaço muito bonito e aconchegante, e se a maca for compatível com seu tamanho, você vai ter uma experiência muito interessante de relaxamento. Não é todo dia que podemos usufruir de uma massagem enquanto navegamos pelo Solimões, não é mesmo?

Em relação aos passeios, de forma geral, eles são bem tranquilos. Seguir algumas dicas simples podem ajudar você a aproveitá-los ainda mais. Embora todas as saídas com a lancha sejam para a realização de atividades específicas, o próprio caminho até elas já é de tirar o fôlego. Além da grandiosidade do rio por si só, há dezenas de animais (pássaros, preguiças, lagartos) que ficam tanto em distantes troncos pelo rio quanto na copa das árvores mais altas. Para visualizá-los melhor, vale muito a pena ter binócolos em mãos.

a caminhada pela mata pode ser ainda mais sossegada se você não economizar no repelente e usar calça e camiseta de manga comprida que sejam largas e claras. Isso porque os insetos picam mesmo por cima da roupa (!), e as de cores mais escuras atraem mais esses bichinhos. Mesmo seguindo essas dicas, por precaução, é recomendável levar uma pomada antialérgica de sua preferência.

Outra dica para esse passeio é o uso de galochas. Embora a trilha seja bem simples e não contempla pontos muito alagados, esse tipo de calçado é muito mais fácil de ser lavado do que qualquer outro. E quando chegamos de volta ao navio, um integrante da tripulação lava os sapatos de todos com um jato de mangueira bem potente. Aqui a galocha também ganha pontos na hora de ser seca e guardada de volta – tudo muito prático.

Voltando às dicas gerais, é bastante válido usar protetor solar, óculos escuros e boné. Também é importante sempre se manter hidratado, mas em todos os passeios as lanchas seguem com água fresca à disposição e os guias ficam sempre nos lembrando disso.

Caso você tenha algum problema para visualizar o vídeo no YouTube, você pode acessá-lo também pelo Vimeo: https://vimeo.com/97994246

Aline Costa / São Paulo, Brasil

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@alinecostaht

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